Natura entra no varejo e se prepara para vendas na web

Natura entra no varejo e se prepara para vendas na webA Natura se prepara para quebrar em 2013 um tabu que já dura quase quatro décadas: a venda dos seus produtos no varejo. A empresa está fora desse mercado desde 1974, quando decidiu fechar a loja que deu origem à marca para apostar no porta a porta. Essa estratégia será combinada com um projeto mais agressivo para o e-commerce.

A notícia surge como algo realmente novo. No dia 7 de fevereiro deste ano, em teleconferência com jornalistas, Alessandro Carlucci, presidente da companhia, afirmou que nem mesmo a aquisição da australiana Aesop, em dezembro, deveria mudar a estratégia da empresa de não utilizar outros canais de venda. “Não abrimos mão de oferecer uma experiência de compra que permita contar a história por trás de cada produto”, afirmou o executivo na época.

O avanço vem logo após um movimento de O Boticário que, em 2012, pôs os dois pés no território que sempre foi da Natura: hoje, a empresa curitibana é uma das cinco maiores na venda direta, segundo dados não oficiais. De acordo com Carlucci, a viabilidade da iniciativa de varejo foi testada durante todo o ano passado, com uma loja conceito na Rua Oscar Freire, em São Paulo. ‘Não faremos uma rede grande, talvez 20 ou 30 lojas nas principais cidades do país’, diz Carlucci.

O executivo faz questão de afirmar que se trata apenas de mais um canal de vendas. Ele explica que a estratégia de varejo será implantada aos poucos e que a marca não tem intenção de abrir centenas de unidades ao redor do país para concorrer diretamente com outras redes. ‘As lojas poderão ser usadas pelas consultoras para a realização de eventos. Serão apenas mais um ponto de contato com o consumidor’, diz. Ao testar novos canais de venda, a Natura está muito preocupada em não desagradar sua equipe de 1,5 milhão de revendedoras.

Por causa desse receio, a marca mantém uma iniciativa tímida de venda pela internet. Hoje, se quiser comprar um produto da Natura online, o cliente tem de ter muita vontade: é preciso procurar para chegar à plataforma de comércio eletrônico. Cada vez que um consumidor faz compras pela internet, dizem fontes de mercado, a Natura atribui uma pequena comissão à consultora mais próxima ao CEP informado para entrega. Agora, o objetivo da empresa é mudar esse quadro e incentivar as consultoras a promover a nova loja virtual.

Segundo Carlucci, um projeto piloto de e-commerce está sendo desenvolvido pela Natura desde novembro. Seis mil revendedoras estão ajudando a construir uma plataforma em que cada consultora poderá ter um site personalizado. Obrigatoriamente, ao usar a nova ferramenta de venda pela internet da Natura, o cliente terá de associar sua compra à página de uma consultora.

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