Empreendedorismo Digital - Vantagens e desafio do empreendedor online

Empreendedorismo digital: vantagens, dificuldades e implantação

Excesso de profissionais no mercado, insuficiência de vagas de trabalho, insatisfação ao cumprir horário fixo, falta de ocupação que atenda interesses profissionais e pessoais, vontade de colocar novas ideias em prática e escassez de capital para arcar com custos de uma empresa são alguns motivos que levam profissionais a investirem em empreendimentos online.

Segundo a Babson College, escola de negócios de Massachusetts (EUA), o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. O Mídia Dados, instituto que oferece informações sobre meios de comunicação, mostrou, em 2010, que a população brasileira é a que navega por mais tempo na rede e o número de usuários ativos supera 29 milhões. No Distrito Federal, 59% da população têm acesso à internet (com referência a dezembro de 2009). Aliado a isso estão o barateamento de softwares e computadores e campanhas pela inclusão digital que auxiliam a popularizar a rede e fazem do brasileiro um consumidor em potencial para o mercado online. Todos esses aspectos oferecem ao empreendedorismo digital chances de sucesso.

Há vários serviços e produtos oferecidos na rede mundial de computadores e, antes de iniciar um desse tipo, é necessário analisar algumas questões: se a ideia é boa o suficiente, se existem possíveis clientes, se há potencial para o negócio sobreviver à concorrência e se o lucro a ser obtido compensa o esforço. Para colocar o projeto em prática, outros pontos ainda devem ser considerados: como, onde, quando, com quem e com que dinheiro será feito.

Lojas virtuais de jogos, maquiagem e produtos de beleza, brechós, agências e empresas de comunicação, web design, consultoria em áreas específicas, sites de compras coletivas e outros negócios virtuais já são realidade na maioria dos países. E muitos deles se utilizam de recursos gratuitos: sites como WordPress, Blogspot, Twitter, Facebook, Orkut, Youtube e Flickr.

Diversas vantagens cercam o mercado online: os gastos para começar são menores e os custos são relativamente baixos em recursos humanos, manutenção, logística e marketing. A sustentação de sites costuma ter taxa mensal inferior a 90 reais e os sites de busca, como o Google, oferecem serviços de anúncios, marketing e análise de dados baratos e vantajosos. Não é preciso gastar muito com propaganda: atualmente, banners expostos em sites podem ter menos peso do que a opinião de um blogueiro que escreve sobre o assunto. Além disso, a necessidade de infraestrutura é menor, há grande velocidade nas vendas e facilidade de acesso a novos mercados, é possível ter horários flexibilizados e otimização de tempo. E, para quem tem familiaridade com essa mídia, é mais fácil trabalhar em meio virtual.

Porém, caso não exista planejamento e organização, as chances de falhar são grandes. A internet já oferece a maioria dos recursos necessários, basta então ter perfil empreendedor e se aprofundar na área de negócios para fazer o empreendimento evoluir.

Levantamento de 2010 da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico revelou que 33,3% das lojas e empresas online fecham com menos de dois anos de existência, por falta de experiência administrativa e comercial. A capacitação de todos os que trabalham na empresa, seja ela online ou não, é essencial. Mas no caso de um serviço na web, é preciso ter preparo específico, por meio de cursos e treinamentos, para lidar com a complexidade do universo eletrônico. É necessário ter também perseverança, pois são comuns os períodos de instabilidade financeira até que a marca se firme no mercado e passe a gerar lucro. Por isso, uma opção é, inicialmente, continuar com emprego fixo, por garantia, e, ao mesmo tempo, trabalhar online.

Planejamento, organização, foco e entusiasmo devem ser adquiridos por quem atua nesse ramo. Deve-se também analisar questões legais para implantação do negócio, conseguir empregados dedicados, saber lidar com todo tipo de pessoa, elaborar um plano de negócios adequado, estabelecer quais são os produtos e os preços de cada um, conhecer bem o público alvo, a concorrência, os fornecedores e definir como será a comunicação com os clientes.

Um negócio de sucesso estabelece um nicho de mercado, uma mercadoria específica, não tem espaço para improviso, nem para falta de profissionalismo. Na internet é preciso também se prevenir contra fraudes nos pagamentos por cartão de crédito e monitorar os dados do negócio frequentemente. Por último, não cair na inércia digital: mesmo que o negócio tenha sucesso num ano, as estratégias usadas naquele período podem não funcionar em outro. Essa mídia é dinâmica, novas tendências e formas de interação surgem rapidamente e é indispensável o negócio se adaptar a isso e estar sempre aberto a aperfeiçoamentos e modificações.

O brasiliense Adriano Gurgel, 34, trabalha com tecnologia desde 1990 e, em 2005, ajudou a fundar a agência de marketing digital Conectando Pessoas, por observar o crescimento das oportunidades da web. A empresa atende mensalmente cerca de dez clientes, compostos por empresas de médio e grande porte de todo o país. Os negócios são fechados mediante reunião presencial ou por contato online e o objetivo é desenvolver uma estratégia de comunicação integrada. “Conectar pessoas é extremamente interessante para qualquer negócio e isso ganhou força com as redes sociais. Novas tecnologias e estratégias surgem rapidamente, é preciso se atualizar constantemente, mas é muito gratificante estudar e trabalhar com isso”, explicou o empresário.

Adriano Gurgel também contou que “no DF, o mercado online está engatinhando. Existem poucas empresas realmente profissionais e a maioria das pessoas, infelizmente, pensa apenas em concurso público, por isso, sobra muito espaço para empreendedores”. “Empreender digitalmente é um ótimo negócio para os que não são acomodados, já que exige muito estudo, dedicação e curiosidade. As informações mudam muito rapidamente e temos de nos manter constantemente atualizados. Em resumo, para obter sucesso, é preciso ter fé, estudar muito, acreditar no seu potencial e compartilhar”, finalizou ele.

E, mesmo que a empresa não seja um negócio virtual, é importante estar conectada à internet com site próprio e com perfis nas redes sociais. Isso porque boa parte dos consumidores consulta informações na rede antes de efetuar uma compra e pode comprar tanto por meio físico, quanto por meio digital. Um estabelecimento integrado à web pode receber mais credibilidade, ser mais popular e acessível e difundir mais promoções e produtos.

Toda nova opção de comércio abre espaço para novas mercadorias, traz lucro e  circulação de capital, gera empregos e, consequentemente, acarreta desenvolvimento financeiro e social. Seria um desperdício não usufruir de mais um modo de movimentação da economia que é benéfico para investidores, população e governo.

Por Ana Paula Lisboa

Empreendedorismo Digital – Vantagens e dificuldades
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