Lavagem de Cliques – Nova fraude virtual

A fraude do clique é um flagelo desde o nascimento da propaganda on-line. Operadores de sites desonestos aumentam as receitas com anúncios gerando tráfego on-line quando, na verdade, não há nenhum comprador interessado em um produto ou serviço que está sendo anunciado.

Ao longo dos anos, muitas variações do golpe foram surgindo. Grandes operadores de redes de anúncios como o Google e a Microsoft desenvolveram sistemas de detecção para eliminar cliques fraudulentos, com o objetivo de manter a confiança dos anunciantes em seus sistemas de links patrocinados como o Google AdWords. Mesmo assim, as trapaças on-line ficam mais sofisticadas. Isso leva à mais nova tendência nas fraudes dos anúncios on-line, chamada de “click laundering” – ao pé da letra, lavagem de clique.

Ano passado, a companhia entrou com um processo nos Estados Unidos, acusando o site de notícias científicas RedOrbit de gerar cliques inválidos de sites terceirizados fictícios por ele controlados. No começo de 2009, alega a Microsoft, o fundador do site, Eric Ralls, usou uma fraude tecnológica para fazer parecer que cliques falsos estavam sendo dados em seu site e eram legítimos.

A Microsoft compara isso à lavagem de dinheiro, em que transações financeiras transformam recursos em dinheiro oriundos de um crime em recursos legítimos. Segundo os documentos enviados à justiça, no fim de 2008 o RedOrbit foi aprovado como membro da rede adCenter, da Microsoft, que fornece serviços de anúncios “pay-per-click“. A Microsoft diz que Ralls manipulou pequenos bits de códigos de software gerados pela Microsoft, de modo que os anúncios que aparecem em outros sites que ele controlava recebiam cliques que eram erradamente creditados ao RedOrbit.

A Microsoft também alega que Ralls distribuiu programas que infectaram PCs de consumidores, instruindo-os a clicar repetidamente – e de maneira invisível – em anúncios hospedados nesses outros sites. Como resultado, o tráfego de cliques aumentou no RedOrbit. Ralls nega todas as acusações. Em um comunicado, ele disse que o RedOrbit cedeu todos os registros de atividades de seus servidores para a Microsoft quando esta começou a ficar preocupada com um aumento súbito do tráfego, em janeiro de 2009, e que posteriormente parou de usar o adCenter.

A Microsoft diz que a fraude provocou um prejuízo de US$ 250 mil, mas Ralls diz que o RedOrbit nunca recebeu dinheiro algum da Microsoft. As grandes redes de anúncios terão dificuldades para assegurar a legitimidade de seu tráfego aos anunciantes, se a fraude do clique se tornar uma tendência difundida. Se sites da internet bastante conhecidos começarem a entrar na onda dos cliques fraudulentos sem levantar suspeitas, “estaremos diante de um problema muito maior”, diz Richard Boscovich, advogado sênior da Microsoft.

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